Saudações aventureiros!

“O bárbaro rompe a porta, no qual vê um grande salão. Tapeçarias estampam as paredes, vários vasos no chão marmorizado, e logo a frente, um trono em madeira e ouro, esculpido com imagens de deuses que ele não conhece, serve de descanso para o homem robusto, vestido com uma capa, braçadeiras em ouro, e coroa adornada. Seminu, coberto por um grande manto de pele de leão, segura uma taça em formato de crânio, possivelmente prata, e aos seus pés, quatro mulheres nuas, somente vestindo tiaras de marfim e ouro, peles brancas e corpos perfeitos. Suas escravas ou esposas? O bárbaro não sabe. O rei, ignorando a maneira rude que o bárbaro entrou em sua sala, levanta a taça para seu campeão e diz: Sirva-se. Mulheres e bebidas para o herói que matou o monstro que atormentava meu reino.”

Pareceu sexista? Sim, é para ser. A ficção retrata tempos selvagens ou evoluídos para entreter quem lê, assiste ou escuta. Vários cenários de RPG, seja de mesa ou eletrônicos, apelam para o visual grotesco ou bárbaro para chocar e entreter. Questões como sexismo, misoginia, homossexualidade, classes sociais, e racismo conotam nesses cenários como se fosse algo comum. “Vivemos em tempos bárbaros, temos que agir como tal” seria uma resposta aceitável nesse cenário.

Mas só na ficção.

Na realidade, onde guardamos as fichas e livros na estante, e procuramos viver, estamos caminhando para uma sociedade mais justa, onde o acesso a informação, a união de grupos antes esquecidos da maioria da população média, está se mobilizando para lutar por direitos que deveriam ser deles, mas por causa das mentalidades bárbaras herdadas dos nossos pais e avôs, ainda estampam comentários nas redes sociais, mesas de bar, ou até naquela olhadela de desaprovação de comentário ou atitude.

Por que ainda temos que debater algo que já deveria ser natural em nossa sociedade? A mulher existe ao mesmo tempo que o homem, então por que ela perdeu direitos, e hoje em dia luta para tê-los de volta? A homossexualidade existe em diversas raças de animais, mas por que só a raça humana trata como ofensa essa característica? Essa mesma humanidade, que é tão miscigenada,  fruto de diluição de DNA, ou a graça de ser humano, tem que disputar o lugar ao sol com pessoas que se acham “puras” só por ter uma pele mais clara do que o outro? Por que?

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Na ficção, podemos reviver os tempos bárbaros, e também viver tempos mais evoluídos, onde esse debate estaria enterrado, pois não existiria motivo para debater. Mulheres teriam direitos e oportunidades iguais aos homens, homossexuais teriam os mesmos direitos do que os heterossexuais, não existiria o termo “divisão de raças” na humanidade, pois todos seriam humanos. E melhor: não teríamos que debater classe social, pois a humanidade viveria em prol dela, e não de poucos. É um sonho, sim é. Ainda é ficção para nós.

Transformar a mentalidade dos “bárbaros” pode ser difícil, principalmente distinguir realidade de ficção, e vice-versa, mas o debate é válido para qualquer dos lados oprimidos, pois se não existisse o debate, ainda existiria o fato de que esses mesmos grupos teriam ainda que se esconder e/ou submeter-se a esses bárbaros de terno e gravata, que adora bostejar (me desculpe o termo) nas redes sociais e rodas de bar.

Na ficção, dentro do RPG, você pode ser o que quiser. Escolha sua ficha e jogue. Os “ismos” ainda vão existir, pois podem fazer ou fazem parte da narrativa, onde chocar e trazer emoções que não experimentamos normalmente é parte do objetivo do jogo. Mas deixe-os na ficção. Na realidade, quando você guarda os dados e vai viver sua vida, não seja um bárbaro. Respeite as mulheres, respeite a sexualidade alheia, respeite o próximo de etnia diferente da sua, respeite os que não tem as mesmas condições financeiras do que você e sua luta por igualdade de direitos. Se você não concorda com alguns termos, tudo bem, mas não desmereça a luta deles com suas opiniões de senso comum. Rompa a barreira e evolua.

E deixe de ser um bárbaro (troll?) na realidade.

 

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Um comentário sobre “Traga a Realidade para a Ficção, mas não faça o inverso!

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