Saudações aventureiros!

E vamos continuando com a série que analisa o novo Dungeons and Dragons e compara sua carga evolutiva com as outras edições da franquia. Quarta passada não tivemos esse debate, pois os #CavaleirosInsones tiraram o dia para jogar, e este quem escreve não tinha terminado a pesquisa do material para debater. Então vamos continuar, sempre abrindo espaço para observações (sempre bem-vindas) e comentários.

the-dying-earth-lancerJACK VANCE, O CARA QUE INFLUENCIOU A MAGIA DO D&D

O Dungeons and Dragons foi influenciado, durante suas várias eras edições por diversos romances e contos de fantasia medieval fantástica. Antes de ser um jogo de interpretação, ele bebeu de diversas fontes, e uma dela inspirou o jeito com que os conjuradores de magia fizesses sua “arte”. A principal fonte foram os livros de literatura pulp, e um dos autores mais citados, é Jack Vance e sua série Dying Earth.

Na série, temos um meio de conjurar magia que se tornou sinônimo no sistema: a conjuração limitada (por dia), onde o personagem tem uma quantidade de “espaços” em sua mente para preencher com as formulas de conjuração. De maneira superficial, o conjurador vai, com o tempo, aprendendo as formulas e aumentando sua capacidade de decorar as intricadas miríades de gestos, sílabas e material para lançar a magia. Nos romances, sem níveis ou sem algum tipo de resistência. A ideia pareceu boa para nivelar os personagens arcanos dos ditos “normais”. E assim, o D&D herdou a maneira de usar a magia.

O sistema parecia tão centrado, que durante 30 anos, ou até a 3ª edição, a mecânica de “decorar e esquecer” funcionava como meio de limitar algo já poderoso por natureza no sistema D&D. A magia era desproporcional em comparação com a espada, por exemplo. Enquanto um guerreiro precisava acertar vários ataques para causar dano, um mago poderia com uma ação fazer um dano considerável, ou influenciar o combate de forma eficiente. A única diferença entre os romances de Vance e o D&D, era que o segundo permitia alguma defesa por parte da vítima. Imagina levar uma Bola de Fogo direto na cara sem ter como se defender?

ESQUECENDO TUDO, MAS MANTENDO A MATEMÁTICA

Enquanto por mais de 30 anos o sistema vanciano comandou o jeito dos conjuradores lançarem magia em D&D, com o advento da 4ª edição, as coisas modificaram para gerar mais equilíbrio. Lembram do “Never split the party“?  Todas as classes tinham seu papel no jogo, e não importando seu nível, sozinho você não era ninguém. Nas edições anteriores, um conjurador poderia até substituir várias classes, pois suas magias – mesmo limitadas à usos diários – detinham poder. Na 4ª edição, isso já era discutível, pois todos os personagens eram baseados em poderes de uso: à vontade (at-will), por encontro e diário. As magias seguiram essa mesma premissa, onde víamos magias mais “básicas” sendo lançadas indefinidamente, as medianas sendo lançadas e renovadas por encontro, e as mais poderosas lançadas em um dia, e renovadas depois de passar esse dia. Uma das opiniões negativas sobre esse tipo de sistema de poderes/magias da 4ª edição era que lembrava e muito o cooldown dos jogos de MMORPG…

dying_earth_ii__jack_vance_by_marcsimonetti

NOVA EDIÇÃO, E REFORMULANDO O SISTEMA VANCIANO

É de impressionar o quanto foi investido de designer no novo D&D, ratificado pelos inúmeros playtests e surveys, onde a nova edição foi lapidada ao gosto dos jogadores. Esse é um ponto diferencial de todas as edições, pois a Wizards/Hasbro estava entregando para os entusiastas um sistema fluido onde as mecânicas antigas poderiam se mescladas com as novas para criar algo relativamente novo.

O sistema vanciano ainda existe, mas não como funcionava antigamente. As magias agora não precisam ser decoradas à exaustão, mas sim selecionadas, e lançou uma magia não é o fim se não decorou ela novamente, você poderá lançar ela novamente, caso deseje, e ainda utilizando espaços de magias de nível igual ou maior da magia selecionada.

Essa dinâmica proporcionou ainda uma versatilidade nunca possuída para alguns dos conjuradores, onde as magias mais simples, ditas cantrips, podem ser lançadas sempre, com evolução com o passar do nível para algumas (herdadas da 4ª edição), bem como as magias podem ser utilizadas com espaços de magias maiores, e ainda dependendo da magia, teria uma evolução em sua ação. Trouxe novamente um desnível para os conjuradores? Não, pois o sistema ainda está redondo para todas as outras classes, sendo ela conjuradora ou não.

Então, analisando o “sistema vanciano”, o “sistema cooldown” e o “novo sistema vanciano”, Dungeons and Dragons voltou para suas origens, mas ainda com a pegada da “antiga nova edição”, onde vemos mais versatilidade e menos “esquecimentos”.


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3 comentários sobre “Debatendo D&D – Magias: evolução ou estagnação?

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