Conto: A um passo do fim do mundo

[Esse conto é direcionado ao grupo dos Libertadores de Phandelver. Sintam-se livres para ler e se inspirar…]

 

Sejam bem-vindos! O que tenho a relatar é preocupante e poderá afetar toda a Costa da Espada, e até mesmo todo o mundo conhecido de Farüm“.

Com essas palavras, Borathur Tempuswrath começa a reunião extraordinária convocada por ele, junto à representantes de quatro das cinco facções. Cada facção mandou um pequeno grupo de representantes, pois dado a notoriedade do grupo intitulado “Libertadores de Phandelver“, e as contribuições dadas por esse grupo nos últimos 4 anos, seria válido ouvir o líder deles, e suas informações.

Ao lado de Borathur, uma pequena comitiva observava a sala escolhida para a reunião: uma casa simples, na parte norte de Waterdeep, livre de olhares curiosos, e protegida magicamente contra qualquer tipo de detecção e espionagem mágica. A sala, sem janelas, foi limpada ás pressas, e o pagamento foi generoso ao senhorio. Borathur anunciou previamente que o local é seguro, e que recepcionava os visitantes “despido de suspeitas e paranoias, pois estava entre amigos“.

Na sala, se acomodaram em cadeiras, almofadas ou cantos os representantes de cada facção convidada e membros dos Libertadores:

Irmã Garaele, dos Harpistas, apresenta sua convidada: Remallia Haventree. A elfa não precisou andar muito para a reunião, já que era delegada dos Harpistas em Waterdeep. Remallia não foi escolhida por acaso: ela tem experiência em oratória, e tem como objetivo primário unir as facções em um objetivo comum. Normalmente proativa, ela demostra bastante interesse no orador principal, e prefere no início não se manifestar.

Daran Edermath, da Ordem da Manopla, apresenta um amigo de longa data: Sir Baric Nylef. Esse humano de etnia illuskana e devoto de Tyr observa o passo de todos com bastante atenção. Parece o tempo todo calado durante as apresentações.

Sildar Hallwinter, da Aliança dos Lordes, apresenta um velho conhecido dos Libertadores: Dagult Neverember, protetor de Neverwinter, o um dos principais interessados no discurso que Borathur falaria em breve. Antes da reunião, Borathur e Dagult trocaram informações vitais de interesse de ambos.

E finalmente, Reidoth, bastante debilitado por uma doença incurável e auxiliado por Ednah Tyl, apresenta Ashenford Torinbow, do Enclave Esmeralda. O único que viajou bastante para chegar à Waterdeep, vindo do longínquo Shadowdale.

Espero que os senhores nos ajudem após ouvir toda a minha história. Pedi para meus amigos que chamassem os representantes de extrema confiança deles, pois infelizmente acredito que os líderes de nossa facções não são confiáveis, dado o que está acontecendo, e principalmente, com o descaso que está sendo tomado diante de uma ameaça atroz próxima“.

Em círculo, os membros observam Borathur prosseguir:

Há alguns anos, descobrimos um plano nefasto que engloba alta magia esquecida há milênios, mobilização de exércitos que a única preocupação é destruir, e o subterfúgio de escravizar as maiores lideranças da Costa da Espada. Nós, os Libertadores, estamos empenhados há alguns anos em desvendar e desbaratar essa trama, mas sozinhos somos ineficazes. Nosso grupo principal está desaparecido há 1 ano, sem contato. Eles desceram aos Nove Infernos em uma missão especial, e já não respondem às nossas mensagens mágicas. E os outros grupos descobriram, ao custo de várias vidas, um pouco do plano que está ocorrendo…

Deixe de arrodeio, Borathur!” Grita Dagult, impaciente com a palavras de Borathur, que sempre começa suas oratórias explicando de forma didática o que acontece. “A ameaça é grande! A Floresta de Neverwinter Sul está toda tomada! Eles são milhões! E não importa se o matamos, eles voltam! Perdi muitos homens, meus e seus, e quase não voltei vivo! E por expor isso nos Lordes, sou chamado de louco!

Calma, Lorde…” Fala calmamente Remallia. “Precisamos saber o que Borathur sabe. Temos notícias sobre o que está acontecendo, e sabemos que uma força sobrenatural muito poderosa está sim controlando alguns dos líderes, principalmente os conjuradores arcanos. O poder é imenso, e magia não adiantou pois os nossos líderes conjuradores arcanos não sabem que estão sendo controlados. Desconfio que seja poderes subterrâneos…

Borathur pigarreia para chamar a atenção novamente para ele. “Sim. Pensávamos que uma subfacção dos Magos Vermelhos de Thay, os Ashmadai, estavam apenas querendo ressuscitar uma antiga liderança deles, no qual os restos mortais estavam em Neverwinter, mas tudo não passava de um pequeno parágrafo de um plano maior. Sabemos que existe uma fortaleza voadora no interior da Floresta de Neverwinter, datada da época de Netheril, e que estava caída há milhares de anos. Essa fortaleza está sendo o covil dos Ashmadai, que há alguns meses, e eles estão sendo liderados por uma criatura muito forte, acreditamos que seja um arch-lich, ainda não identificado pelos nossos espiões. Mas sabemos que eles estão movimentando tropas e recursos para a região, e todos que chegam para espionar não voltam. Até magias das mais poderosas de adivinhação não conseguem ultrapassar certa parte da floresta, mas sabemos que eles já estão na casa das dezenas dos milhares de homens.

Ednah pede a voz: “Muitos membros da minha facção foram mortos. Um círculo druídico foi totalmente exterminado. Eles estão derrubando árvores milenares, e até monstros que viviam nas matas estão fugindo deles! Monstros que normalmente são encontrados nas mais profundas matas estão migrando para zonas urbanas, atacando a população! Com a ajuda de Reidorf, consegui contato com Ashenford. Creio que somos os únicos do Enclave que ainda estão vivos da região…” Sua fala é interrompida pelas palavras emocionadas e lágrimas que escorrem pela sua face.

Sir Baric toma a palavra: “Nossa facção está ciente dos avisos. Tentamos entrar em contato com nossos aliados da Aliança dos Lordes…

A Aliança dos Lordes está totalmente corrompida!” Dagult interrompe. “Alguma coisa seduziu magicamente Laeral e Alustriel! Elas não são mais as mesmas! Todos os líderes que não foram corrompidos por… essa… magia não magia, não vão ficar contra as mulheres mais poderosas do mundo!  Precisamos o mais rápido possível juntar ainda os aliados confiáveis e atacar a fonte!”

“Exato!” Exclama Sir Baric. “Temos que juntar um grupo de aventureiros que não pense que somos malignos pois estamos indo contra os líderes de nossas facções, para descobrir quem está controlando suas mentes, e ao mesmo tempo, atacar a ‘cabeça’ por trás disso tudo! Se são humanóides ou bárbaros, se atacamos líder, como em um cupinzeiro, os lacaios debandam!

Isso é a coisa mais difícil de se fazer, Sir Baric.” Remallia se levanta e fica ao lado de Borathur no círculo. “Eu mesmo lutei para acreditar, e ainda vendo com os meus próprios olhos, ainda não creio completamente. Na última reunião do Conselho dos Lordes, Laeral estava diferente. Os boatos que está perdendo os poderes nunca afetaram sua estima, e os itens mágicos que protegem todos deveriam proteger ela também. Até onde sei, uma Filha de Mystra tem poder suficiente para bater em semideuses!

Borathur, como você soube dessa trama?” Pergunta Ashenford.

Meu grupo, que está desaparecido, descobriu em Silvermoon que o Mithal da cidade estava, de certa forma, corrompido. Mandei outros do meu grupo para lá – como todos sabem, somos um grupo bem vasto – e poucos voltaram… Mas quem voltou, sentiu que algo tomou controle de Silvermoon, e também de Alustriel. Era tempo controlar Laeral. Nesse último ano, tentamos contato com as outras Filhas de Mystra, mas sem sucesso. A única aliada que não tinha sido corrompida e estava ativamente no nosso lado era Storm, mas ela sumiu junto com meus companheiros do grupo principal dos Libertadores há um pouco mais de um ano… Nenhum efeito mágico de comunicação foi sucedido, mas acredito que eles estejam vivos e bem…

Por que raios você mandou-os para os Nove Infernos?” Questiona Dagult.

Eles precisavam encontrar uma pessoa. A única que poderia ser uma luz para todos nós com seu conhecimento sobre esse plano, e atualmente ele está preso em algum lugar dos Nove Infernos…” Explica Borathur.

Tomara então que ele seja líder de um exército!” Comenta Sir Baric.

Não. Mas o conhecimento dele será de grande valia, pois com ele, teremos a chave para desvendar essa trama, e também salvar a Costa da Espada!” Conclama Borathur.

E quem é essa pessoa!?” Falam todos em quase uníssono.

Elminster.”


E foi isso que aconteceu, ancião!” Explica Marion Luckstar, única sobrevivente da cidade “Redeye’s Fall”.

Marion ainda curando as feridas do que aconteceu, completa: “Depois da reunião, comemoramos a aliança, todos elaboraram um plano e partiriam para os quarteis-general de cada um, mas quando todos saíam da casa, uma explosão aconteceu! Nunca tinha visto um poder tão gigantesco! Everond ainda conseguiu abrir um Portal para os Motes, mas ele não percebeu que foi seguido por uns seres estranhos e poderosos! A luta foi impiedosa, e muitos foram mortos a sangue frio. Eu consegui fugir pela passagem da montanha, onde os Libertadores caçaram o beholder dos Redeyes, e só estou aqui porque consegui achar o mote de Nialopteck! A força da batalha foi tão grande que parte do Mote ruiu!

Calma, sacerdotisa. Você está segura aqui. O Ninho dos Aarakocras é seguro. Estamos bem acima das nuvens, e você realmente teve sorte em encontrar nosso amigo dragão de bronze. Vamos proteger você como fizemos no passado.Eik-Hazerhoot é o aarakocra mais velho da pequena vila acima das nuvens, e lembra quando há algumas luas atrás (que para um aarakocra soa como anos) quando os Libertadores caíram nos motes flutuantes por um mero acidente.”Vamos nos concentrar. Esperamos que os Libertadores estejam à salvo. A missão deles é nobre, e tem ainda muita coisa a ser resolvida“.

Marion se senta ao lado de Nialopteck e Eik, protegidos dentro do salão dos anciões. Bebendo um vinho viscoso feito pelos aarakocras, ela se sente protegida, e reza em silêncio agradecendo à Tymora pela sorte boa que ela recebeu, quase ao mesmo tempo que pede que a Dama da Sorte ajude a todos os seus amigos, seja lá onde eles estejam…

 

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