Uma Jornada aos Infernos – Parte 2

Estamos sacrificando muito para salvar muito mais. Mas até onde manteremos nossa sanidade?

Ethena Astorma “Storm” Silverhand

1476 C.V.

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TERCEIRO TOMO – MINAUROS

Tivemos extrema dificuldade ao entrar no terceiro nível dos Infernos, Minauros. Um pântano bolorento, com explosões de gás esporádicas, e criaturas deformadas espreitando a cada moita. Usamos magia para nos salvar dos lamaçais que engoliam criaturas gigantes em segundos, e insetos maiores que dragões. E lutamos para achar o Thalionhir, o novo integrante do grupo, no qual se juntou enquanto eu estava aprisionada por Garadon.

Enquanto procurava pelo pântano, interroguei Oskar sobre os novos integrantes do grupo: Thalionhir, um elfo psionista; Mordai, um batedor tiefling; e finalmente, Aira, uma humana aprisionada magicamente nos Infernos. O elfo e o tiefling são aliados de longa data, e participaram de um outro grupo de aventureiros. Oskar não me deu muitos detalhes – ele mesmo não sabia explicar – mas soube falar mais de Aira, no qual Farengar completou que seria uma peça importante lá na frente. Aira, que me parecia bem indefesa, somente pediu uma espada para ajudar, mas nos encontros que tivemos em Minauros, mal vi ela agindo.

Descobrimos depois de quase 4 meses em Minauros, que Thalionhir estava na fortaleza do arquiduque do nível: Mammon. Quando adentramos à fortaleza, soubemos que Thalionhir foi salvo por uma erinye, e desde então, fazia parte de um grupo especial de Mammon, sua guarda pessoal. Soubemos que, de todos os arquiduques, Mammon era o mais interessado em riquezas do Plano Material, e poderia ser um trunfo para resgatar Thalionhir. Anexo nesse tomo o relato que ele nos passou.

Storm Silverhand

***

00 Thalionhir
Thalionhir

Sou Thalionhir, e tenho uma história para contar. Estou nos infernos por um acaso do destino. Fui traído, e meu grupo desfeito por um grupo no qual achávamos que era nosso aliado. Nos foi prometido riquezas se caçássemos e capturássemos um grupo de desordeiros conhecidos por Libertadores, mas depois de quase 2 anos, descobrimos que éramos os vilões. Todos os meus amigos morreram, exceto eu e Mordai. Mas nossa sobrevivência nos condenou há quase 1 anos em Dis, e agora, em Minauros. E por um acaso do destino, os próprios Libertadores seriam nossos salvadores.

Storm pediu para eu escrever pois fazia com que nossa mente trabalhasse sem pensar no local. Mal sabe ela que eu e Mordai superarmos a loucura dos Infernos há meses!

Acordei depois do combate na Torre dos Ossos em Dis, em um pântano quente e úmido. Tudo era gosmento, e tive que usar minhas habilidades psiônicas para sobreviver. Até que tudo estava dando certo, e eu estava até me acostumando à andar no Labirinto das Verdades, mas então encontrei um Devorador de Mentes passeando por ruínas meio submersas dentro do Labirinto. Em Faerüm, tinha conhecimento do poder que uma criatura dessas tem, mas sabia que se eu desistisse do combate, ele comeria meu cérebro!

Os poderes psiônicos dele eram incríveis, e depois de combate e fuga (minha), ele me emboscou e me derrotou. Eu estava praticamente nas mãos dele, quando desfaleci. Depois disso, tinha como certa a minha morte, sobrevivi, mas não sei se foi uma boa.

Eagatner, uma erinye da guarda pessoal de Mammon, estava em patrulha pois percebeu o combate. O Devorador de Mentes simplesmente decidiu atacar a erinye e seu bando de diabos. Eu pensei que Devoradores eram mais espertos…

Fui levado para a Fortaleza de Mammon, e fui escravizado por mais ou menos dois meses (é difícil mesurar os dias nos Infernos). Enquanto era torturado e forçado à trabalhar no lamaçal em torno da Fortaleza, por algum motivo, Eagatner começou a se aproximar de mim. Algo rolou entre a gente, e descobri que existe amor (de certo modo) nos Infernos. Nossa união era proibida, pois deveria ser aprovada por Mammon, senhor de todos os diabos e escravos, mas ele não contava com meu segredo: eu era um poderoso psionista!

Desafiei o chefe dos escravos, e derrotei-o com minha mãos nuas! Liderei uma rebelião de quase-mortos e amaldiçoados. Formos massacrados, mas minha intenção foi vista por Mammon. Ele ficou muito interessado no potencial que eu tinha, e logo, eu era um caçador de relíquias ao lado de Eagatner, Fiz uma pequena fortuna para Mammon, que me recompensou com alguns itens mágicos no qual ele não via utilidade (mas para mim eram essenciais). E com isso, o tempo passou, até eu cruzar com os Libertadores depois do 4º mês em Minauros.

Nosso grupo encontrou Storm, Farengar, Oskar, Aira e o imp (que eu nunca lembro o nome). De início eles não me reconheceram, pois eu estava de armadura infernal da tropa de Mammon. No combate, consegui estabelecer uma conexão mental com eles, e tive que dizer para simular o combate comigo. Eles tinham que ganhar, pois assim eu iria com eles, e não recairia nada contra mim por parte de Mammon (pois ele acharia que teríamos sido derrotados e mortos), mas surgiu um dilema: e Eagatner?

Ela estranhou porque eu não usei meus poderes contra esses aventureiros extraplanares, mas logo ela entendeu: eles faziam parte do meu grupo. Chamei ela para vir conosco. Ir para Faerüm. Expliquei que eles tinha um jeito de ir para o mundo material, que me tiraria daquele lugar, e poderia tirar ela também.

Ela não aceitou. E ela lutou contra mim e meu grupo.

Eu tive que derrotá-la. E eu fui derrotado também. Se não fosse a magia de Oskar, eu não estaria escrevendo esse depoimento.

Será que fiz a escolha certa?

***

O elfo psionista está há quase uma dezena sem falar direito. Acabei de ler o que ele escreveu. Ele me entregou em silêncio, e em silêncio ficou. Eu trouxe um ânimo para o rosto dele quando disse que Mordai, seu amigo de longa data, também sobrevivera à Torre dos Ossos. Pelo menos, nem tudo estava perdido.

Storm Silverhand


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QUARTO TOMO – PHLEGETHOS

 

Encontramos Palutena depois de 5 meses nos Infernos. Passamos um mês para sair de Minauros, no qual com a ajuda de Thalionhir, foi fácil achar um dos portais que conectava o terceiro para o quarto nível. Ao contrário dos resgates anteriores, foi muito fácil achar Palutena, pois ela era uma alta concubina extraplanar que vivia com um influente diabo em Abriymoch, uma cidade construída dentro de um vulcão. Por algum motivo, ela não morreu com o intenso calor das ruas e galerias, creio que protegida por argolas e correntes de ouro dos seus captores. Foi fácil achar, mas extrair ela do cativeiro foi um trabalho mais complexo, mas como nosso grupo já estava mais entrosado em questão de poderes e ações, foi uma questão de tempo.

Quando aparecemos pela primeira vez na frente dela, para verificar se ela estava bem, ela apenas entregou um tomo de memórias. Palutena é uma boa barda, como eu, e como ensinado na universidade, podemos perder até a vida, mas se não registrarmos nossas experiências para outros, nossa vida não valeu a pena.

A narrativa dela está anexada nesse tomo. Notem que as páginas estão com um perfume diferente do enxofre que o ambiente exala naturalmente. Notem também a linguagem em terceira pessoa. Até nisso ela pensou enquanto escrevia.

Storm Silverhand

***

00 Palutena
Palutena

Palutena caminhava por aquele deserto escaldante sem entender o que estava acontecendo. Tentava lembrar porque havia parado ali, mas apenas fragmentos de memórias vinham a sua mente. Chamava por ajuda, mas os nomes de seus conhecidos lhe escapavam a mente. A pele ardia, mesmo que não visse o Sol e seus pés doíam, mesmo que não tivesse andado muito. Ela olha para o horizonte tentando ver alguém ou algum lugar para onde pudesse ir, mas era inútil. Mesmo sem roupas o calor a incomodava, fazendo com que ela começasse a chorar baixinho, pedindo para que aquilo de alguma forma acabasse. Não tinha o humor necessário para cantar a fim de fazer suas magias. Esperando que aquilo fosse apenas um sonho, ou pesadelo, ela cambaleia enfraquecida por mais alguns metros até cair em uma vala onde podia ver um rio de magma passando mais embaixo. Será que se ela “acordaria” se morresse ali? Palutena se arrasta, mas vê os arranhões em seu corpo, além do seu instinto de sobrevivência lhe impedindo de se jogar. É quando ela ouve uma voz familiar. Não reconhecia de imediato quem era, mas estava ali estendendo sua mão para tirá-la daquele martírio. Embora seu salvador fosse mais um dos muitos diabos que infestavam a região, Palutena o via como um cavaleiro de armadura dourada vindo ao seu socorro. Ela estende sua mão e fecha os olhos enquanto era levada embora dali. Estava fraca e fica inconsciente devido ao calor.

Ao acordar horas ou possivelmente dias depois, Palutena se via em uma cama confortável num palácio que parecia de cristal. Lembranças da cidade de vidro cruzam rapidamente em sua cabeça, mas não faziam muito sentido para ela.Vestida com uma roupa de seda, ela observa boa comida e bebida disponível para ela, mas nem tudo eram flores. Correntes e algemas de ouro prendiam seus braços e pernas e embora o alcance delas lhe permitisse andar pelo palácio com certa liberdade, certamente impediam velocidade ou uma fuga daquele lugar. Sem fome no momento, a barda começa a andar pelos corredores do palácio que pareciam infinitamente longos. As paredes as vezes a refletiam e as vezes exibiam imagens desconexas de momentos passados que pouco ajudavam a meio-elfa a recuperar a memória perdida. Pessoas que conheceu há muito tempo acenavam adeus enquanto desapareciam atrás dos cristais. Chamar por eles ou tentar bater nas paredes de nada adiantava. Uma pequena halfling acenando adeus, um draconato ignorando seu chamado, e aquela imagem que a fez chorar e se ajoelhar, era de ver Borathur com seu filho no colo. Palutena começava a ligar as coisas. Acreditava que finalmente havia morrido e sua alma fora parar em algum lugar desconhecido, onde ela pudesse reviver memórias tristes. Seus pecados voltavam pra ela. Todas as pessoas que ela havia abandonado em vida, retornavam pra lhe assombrar na pós vida.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto quando então ela sente um dedo enxugar uma delas. Era o seu salvador. Palutena tenciona o perguntar sobre aquelas imagens, mas o mesmo dedo que conteve sua lágrima, cobriu seus lábios num pedido de silêncio. Ele a ergue e a pede que a acompanhe. No caminho, o cavaleiro dourado se apresenta como Zephiel, um nobre daquelas terras, e que dali por diante, ela seria sua esposa. Pega de surpresa, Palutena para de andar e o homem a abraça de frente, explicando que aquelas imagens que Palutena via nos cristais, faziam parte de um passado distante e que ela deveria esquecer. Com os olhos marejados pelas lágrimas que insistiam em surgir, Palutena pergunta o que aconteceu e Zephiel diz que o seu antigo grupo de aventureiros precisou deixá-la para trás a fim de sobreviverem. Da mesma forma que Palutena havia deixado Martella, Jandar e Annael, havia chegado a hora dela de se sacrificar pelos outros. A barda sente uma pontada no coração, mas talvez aquelas palavras fossem mesmo verdadeiras. Zephiel leva Palutena até o seu trono onde outras lindas mulheres aguardavam. A elas, o lorde apresenta sua nova amada. Das cinco moças ali presentes, apenas uma não havia parabenizado a escolha de seu marido e que no momento estava sentada no trono ao lado.

Zephiel então ordena que Palutena fizesse uma ode a sua pessoa enquanto as outras concubinas tocavam harpas e alaúdes. Ele vai até sua “ex-rainha” e toma sua mão para uma última dança. Palutena improvisa uma canção, aliviada por ainda lembrar bem de suas músicas, mas não deixa de notar tensão nos olhares de suas companheiras. O par formava um belo casal, como se tivessem sido feitos um para o outro, mas tão logo a música acaba, a elfa loira de olhos azuis percebe com pavor seu corpo se cristalizando como as paredes daquele lugar. Com um estalar dedos, a estátua se estilhaça e os pedaços se unem ao salão. O lorde menciona que cada uma das moças ali presentes já foram suas rainhas um dia e que não suportava a falta de submissão. Se ele decidira por uma fêmea superior, não cabia as demais julgar suas decisões. Zephiel toma Palutena em seus braços novamente, dando-lhe um demorado beijo de língua e passando a mão pelo seu corpo. De uma hora pra outra, aquele respeitoso cavaleiro de armadura dourada, parecia haver se tornado um tirano cruel e pervertido. E é por um mero instante também que Palutena pode ver a real forma de seu “marido”. O lorde diabo certamente percebe que sua nova esposa havia lhe descoberto e resolve se desfazer de seu disfarce, levantando-a em si e consumando o casamento. Para o bem dela, que apenas aceitasse sua situação.

Uma vez que não era possível ver o passar do tempo naquele lugar observando o dia e a noite como de costume, Palutena não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde que chegara ali. Já havia parado de contar quantas vezes tinha ido dormir. Embora ela tivesse sido escolhida como a primeira esposa, esse status lhe dava pouca vantagem além de delegar tarefas triviais às demais esposas e ainda receber a inveja delas. Era como se elas mal pudessem esperar para a situação se inverter. Ser a escolhida parecia mais uma desvantagem do que uma coisa boa. Certo dia Zephiel recebe um de seus vassalos e o alerta para uma situação incômoda. Parecendo já saber do que se trata o lorde toma sua lança em mãos e volta-se para a sua primeira esposa e diz que em sua ausência, ela era a Rainha e que defendesse o palácio com a própria vida se necessário. Ele sai com uma comitiva pela porta principal do palácio, algo impossível para qualquer um que não tivesse a sua expressa autorização. Embora fosse boa nisso, Palutena não precisou ser nenhuma especialista empática pra percebe o brilho nos olhos de suas “vassalas” como se rezassem por aquela oportunidade há incontáveis eras. A barda já havia sacado como funcionavam as coisas por ali e não permitiria que elas levassem vantagem em cima dela. Zephiel não retornou naquele dia, nem nos próximos…

Com tanto poder “social” em mãos e ciente de estar cercada de gente invejosa, Palutena se deixa consumir por um sentimento negativo de vingança e desprezo. Havia tornado a vida de suas vassalas um inferno dentro daquele inferno. Os guardas podiam “usá-las” a vontade por quanto tempo e quantas vezes quisessem enquanto ela ignorava seus apelos. A barda havia assumido a crueldade de seu esposo e já mal podia se reconhecer ao se ver num espelho. Havia esquecido quem ela já fora um dia, representando alegria e bondade. Foi então que as portas do seu palácio se abriram com a passagem de um ser bruto com correntes e cicatrizes no corpo de modo que não dava pra dizer qual das duas coisas ele ostentava mais. Era um diabo mais alto e robusto que Zephiel e que carregava em sua mão direita uma lança igual a que Zephiel possuia, mas com o diferencial de ter a cabeça do antigo lorde como adorno. Ele questiona para uma das vassalas azaradas a qual ele por pouco não esmagou com os passos e questiona onde estava o lorde daquele palácio. Todos apontam diretamente para Palutena que no momento sentava no trono menor de esposa. Embora tivesse no comando e tivesse sido lembrada que podia sentar no trono maior, ela jamais o fez. O diabo caminha até o trono e questiona quem era o lorde ali, o qual Palutena diz que manteve o palácio pronto para quando o lorde chegasse.

O diabo esfrega a cabeça arrancada de Zephiel no rosto de Palutena que se mostra indiferente. Ela é agarrada pelo cabelo e tem seu rosto usado como um pano pro trono maior, sendo depois solta e empurrada no chão. O novo lorde diz que o antigo senhor daquele palácio não tinha as qualificações necessárias pra manter o status. Uma rival de Palutena a acusa de ser falsa e aproveitadora, que ela poderia ser uma esposa muito melhor. O lorde olha a concubina de cima a baixo e pergunta o que ela poderia oferecer de melhor, alem de inveja. Pro seu azar nenhuma de suas “qualificações” foi do agrado do lorde e ela é despida e encoleirada sendo oferecida como escrava pessoal de Palutena cujo status tentou usurpar. Skullbashat, como queria ser chamado, diz que não queria uma esposa principal e que todas menos a escrava, deveriam estar ao seu dispor quando ele bem entendesse, de preferência sempre caladas e obedientes. Sem dizer nada Palutena faz apenas um leve sinal questionando se podia seguir para os seus aposentos e o lorde permite. Incapaz de desobedecer sua mestra, Krysta engatinha ao lado dela sob tapas, chutes e insultos, apenas uma pequena amostra do que iria sentir dali pra frente. Terrível fim para uma moça que um dia fora uma bela e nobre princesa, mas que cometera o erro de vender sua alma por poder. Jamais imaginou que sua vida estava em risco pouco antes de fechar o acordo. Passaria a eternidade sofrendo nas mãos de alguém que considerava inferior.

Dias, semanas, meses se passam e a situação parecia definitiva. Àquela altura, Palutena já havia esquecido seus companheiros, sua missão naquele lugar e traído seus princípios de trazer bondade e alegria com sua música, ensinada pelos próprios Eladrin de Feywild, hoje servia unicamente como objeto sexual de um lorde demoníaco e dona cruel de uma escrava. Um dia Palutena perguntou a Krysta qual era o maior arrependimento dela e recebe como resposta ter deixado sua família e amigos para trás em troca de poder. A escrava arriscando ser castigada pela ousadia de questionar, pergunta do que Palutena se arrependia. Ela tem seu nariz apertado e puxado enquanto a ex-barda se deleitando em crueldade pensa numa resposta. Ela diz que a pergunta estava errada. De nada se arrependia, mas sentia falta de memórias. Ameaçada de ter as orelhas cortadas, Krysta é oferecida um desafio. Que cantasse a música mais bonita que ouvira Palutena cantar um dia. Que seus ouvidos lhe tivessem servido pra algo um dia. A escrava engole o orgulho, agradecendo aos deuses de seu antigo mundo por ter mantido suas memórias e se levanta começando a dançar a cantar quase fielmente a como Palutena fez nos seus primeiros dias do palácio e que tanto agradaram a Zephiel. Palutena observa aquele ato estática como se uma torrente de lembranças passasse por seu corpo.

Krysta não fazia ideia, mas a canção que Palutena mais cantava e que ficou gravado em sua memória, consistia de frases subliminares contendo palavras-chaves especiais que faziam a meio-elfa lembrar de várias partes de sua vida. Sua infância, seus filhos, seus amigos, suas tristezas e alegrias e o seu casamento. Quando a música acaba, Palutena assoviava tentando manter o que havia lembrado. Nunca lhe ocorreu que aquele clérigo baixinho pudesse ser seu filho também. Precisava encontrar todos eles, Nabooru, Bonnie e Palatur e quem sabe tantos outros que deixara no mundo. Mas que mundo? Aquele não era o seu mundo. Precisava voltar. Mas como? Onde estavam seus amigos que vieram com ela para aquele inferno? Precisava dar um jeito de encontrá-los. Aproveitar que tinha a razoável confiança do lorde e o apoio incondicional de sua escrava para fugir dali. A princípio iria agir como se nada tivesse mudado, mas o fato é que aquela música havia mudado tudo! A barda sorri olhando pro horizonte enquanto seu coração se enche de esperança.

***

Depois do resgate e fuga, demorou uns dias para Palutena discernir que não éramos um tipo de ilusão ou teste do monstro que a capturou. Quando finalmente rompemos suas algemas douradas, ela chorou. Conseguimos pilhar sua jaula cheia de presentes, e entregamos para ela sua decência e equipamentos para sobrevivência. Não conseguiríamos seguir para o próximo nível sem sua inspiração.

Storm Silverhand



 

Saudações Aventureiros!

Espero que tenham gostado dessa narrativa compartilhada do grupo dos Libertadores de Phandelver. Para quem pulou de paraquedas na postagem, o grupo foi dividido e está sendo resgatado. Fora do jogo, os jogadores fizeram textos descrevendo o que aconteceu com seus personagem, e o resultado deles vocês estão lendo!

No próximo texto, teremos o resgate de Zeed (o Ranger Spellfire) e Hilga (a bárbara). E se quiserem ler o texto anterior, só clicar aqui.

E rolem dados!

 

2 comentários em “Uma Jornada aos Infernos – Parte 2

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